Trânsito à margem do lago


Durante 30 dias do mês de janeiro de 2010 transitamos pelas margens brasileiras e paraguaias do Lago Artificial de Itaipu. Nossa prática, efêmera, deu-se no encontro. Tomamos a atitude nômade como princípio deflagrador das relações e desencadeador de situações criativas de contato.

Nesse caminho usamos o transporte local. Nossa rota foi definida pelas experiências de cada lugar a partir de Foz do Iguaçu.

Na década de 70, a construção da monumental Usina Hidrelétrica Binacional de Itaipu deflagrou um elevado crescimento populacional, decorrente do corpo de trabalhadores que lá se estabeleceu. Este fato imprimiu a expropriação de diversos grupos (colonos, ribeirinhos, indígenas) das margens do complexo de rios afetados, caracterizando o lugar por trânsitos intensos.

Buscamos o dado humano dessas dinâmicas, a experiência colaborativa e o alargamento da concepção de relação. Um esforço para sondarmos a existência de grupos ativistas locais; Refletir sobre as simbologias de fronteira que formatam um imaginário de indentidade, propriedade e pertencimento; Para ativar a memória sobre acontecimentos das últimas três décadas; E identificar repertórios simbólicos compartilhados e estratégias identitárias próprias.

Consideramos que os encontros são causadores de transformações nos agentes envolvidos e no ambiente e que as intervenções artísticas inclinadas às questões de memória e códigos de poder podem ativar percepções sobre o lugar e o grupo. Para nós o nomadismo como proposta de ser/estar transgride a ideia de presença estrangeira. Compreendemos que o ato criativo reverbera através das várias possibilidades extensivas, memórias/registros. E prezamos pela cumplicidade e horizontalidade nas relações.

À margem



Sinopse:
Sequências fotográficas captadas durante os trinta dias à deriva pelas margens brasileiras e paraguaias do Lago artificial de Itaipu, realizada em janeiro de 2010, como parte do projeto Trânsito à margem do lago.

Duração: 9 minutos

Claudia Washington e Lúcio de Araújo